Paulo Ricardo “Não existe faculdade para ser rock star”

Antes da fama, Paulo Ricardo era repórter: "Primeiro emprego foi na Band"


Cantor guarda memórias das entrevistas que realizou no período e garante que a profissão de jornalista o inspira até hoje

No início dos anos 80, viver de música era apenas um sonho para Paulo Ricardo. No Na Pista do Sucesso desta quinta-feira (24), o cantor relembrou que o começo da sua vida profissional aconteceu no jornalismo, ao ingressar na Escola de Comunicações e Artes (ECA), da USP. E revelou ainda outro fato curioso: que o seu primeiro emprego, como estagiário, aconteceu na TV Bandeirantes, no “60 Minutos”. 

Nos bastidores do programa, ao site do Faustão Na Band, Paulo recordou que, ao todo, foram três anos de trabalho intenso como repórter, cobrindo principalmente a área musical. E não são poucas as histórias que ele acumulou durante o período: de Ney Matogrosso à Freddie Mercury, o artista manteve contato com diversas figuras importantes do meio, que o influenciam até hoje.

“Não existe faculdade para ser rock star”

À reportagem, Paulo afirmou que seguir na carreira musical era um plano paralelo. “Eu entrei para cursar jornalismo na ECA, da USP, em 1980 e comecei a trabalhar imediatamente", apontou. 

Seu primeiro estágio foi aos 18 anos, na produção do programa “60 minutos”, da Band. Paulo chegou a fazer um teste para ser locutor de rádio na emissora, mas não conseguiu. “Diziam que eu corria demais, era apressado”, disse rindo. 

Após esse período, começou a trabalhar como freelancer, atuando principalmente na área musical. "Colaborei para um jornalzinho, um tabloide chamado Canja. Depois fui para a revista Somtrês. Meu editor era o Maurício Kubrusly, com quem eu aprendi muito”, relembra. 

A carreira ia de vento em popa: até correspondente internacional ele foi. “Fui para Londres. Não falava muito de música brasileira, mesmo assim fiz entrevistas com gente que eu admirava, por exemplo Caetano Veloso e Ney Matogrosso. Uma das mais marcantes aconteceu com Wagner Tiso, de quem eu sou muito fã”, afirma. 

Este trabalho, em especial, foi uma guinada na sua carreira. Ao final da conversa com o músico, ele contou que estava começando uma banda e pediu um conselho. 

“Wagner me disse uma coisa que é dura, mas é a verdade. Eu não poderia ficar me segurando em um emprego diurno, caso contrário não teria sucesso. Até então a banda era um sonho, meu plano B – até porque não existe faculdade para ser rock star. Mas precisava viver disso para levar a sério – então decidi me dedicar integralmente à banda”, contou. 

Com isso, Paulo desistiu do diploma de jornalismo. “Meu pai ia adorar um diploma? Ia. Mas eu já nem precisava. Já era um jornalista”, avalia. 

“Jornalismo se tornou inspiração para minhas músicas”

Paulo Ricardo garante que, após as experiências que teve como repórter, sua visão de mundo não foi mais a mesma. “O jornalismo é uma grande fonte de assunto para as letras, principalmente do rock, que é um estilo que se posiciona, que tem atitude, opinião”, reflete. 

Como exemplo, ele cita a música “Rádio Pirata”, da RPM. “A letra veio de uma pauta que estava rolando na USP. Um amigo jornalista estava escrevendo sobre o crescimento das rádios piratas nas periferias, principalmente de São Paulo. Era um momento intenso politicamente, das Diretas Já. Aquilo me influenciava, me abastecia de ideias”, afirma. 

E esse instinto não se resume ao passado. “A música 'Herói Made In Brazil', por exemplo, veio de um ímpeto jornalístico de comentar o que está acontecendo. O Brasil nunca foi calmo. Sempre teve altos e baixos, foi cheio de escândalos. Sinto que tenho que me posicionar", concluiu. 

 

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